Lia Sabino no ônibus quase vazio. Absorta que estava na insubordinação do Tenente Bruno, nem dei por ela que me olhava, do banco imediatamente a frente. Na casa dos setenta anos, franzina – como toda senhora angelicalmente enxerida – e com notáveis problemas de visão ela me olhava com irritada indignação. Inconformada com meu despeito, disse baixinho a passageira ao seu lado:
- Olha só essa menina... Lendo um livro de sacanagem tão cedo! E na frente de todo mundo!
Apenas então eu percebera. Ela fitava horrorizada o título, em amarelas letras garrafais, na capa do meu livro: O Homem Nu.
Desculpa Sabino, mas aquela gargalhada foi mesmo pra velhinha.
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