"Acho que a gente devia encher a cara hoje, depois a gente fala mal dos inúteis que se acham super importantes."
- Charles Bukowski -
Hoje fiquei horas e horas sentada em frente a essa máquina que faz com que eu me sinta cada vez mais obsoleta. Além de não entende-la enquanto engrenagem, me coloca o mundo todo na cara, o mundo todo que eu nunca vi, que nem sabia que existia. E me enche de vontade de viajar. Por agora, viajo apenas na fumaça densa pairando por sobre a cama, totalmente desfeita em seus lençóis laranja, cheia de porcarias amontoadas pelo gato num canto. Ele também viaja, da maneira dele. Antes mesmo se debatia num sono convulso. Sabe-se lá o que estaria acontecendo ali. E eu, sinceramente, estava muito mais preocupada aqui.
Estava lendo algumas poesias que me enviaram, e achei uma merda. Ah, mas a fulana publicou um livro. Cíntia – digamos que se chame Cíntia – ganhou incentivos federais pra um montagem acerca de um texto seu. Ah, Bukowski, entendo quando dizia que odeia os POETAS. Estou aqui, sentada escrevendo um sábado à noite com a perna fodida a geladeira queimada sem grana sem comida sem sexo sem saco. E vejo uma escrota, de longos cabelos oxigenadamente platinados, dando entrevistas tão ridiculamente burras quanto seu livro. E enchendo os bolsos de grana. Enchendo o mundo de merda, e enchendo os bolos de grana. Mania de grandeza? Prepotência? Foda-se, gosto mesmo de criticar. E, porra, não escrevo como ela. Até por que se escrevesse daquela maneira não teria coragem de preencher um formulário que fosse, pra não correr perigo de soltar uma pérola. Mas os incentivos federais, veja só! Pra qual marajá será que ela deu pra ganhar aquele nariz novo e de lambuja um livro? Um livro ruim, por deus! Péssimo, nojento como um escarro daqueles bêbados de fim de noite.
Mais textos. Continuo me questionando quem publica essas porcarias. Que compra essas porcarias. Meu deus, que lê essa merda toda amontoada em letras após letras, formando aquelas frases me fazem duvidar da existência de um ser maior. Se eu fosse um ser maior, não permitiria esses assassinatos do bom senso. Tenho certeza que já vi esse texto em algum lugar. Esper aí... Isso, certeza. Esse texto foi publicado antes mesmo dessa infeliz nascer. Mas ela foi lá, leu, entendeu tudo errado e acrescentou todos os erros que o original não tinha. O público talvez nem se tenha dado conta da cópia, visto a qualidade dela ser infinitamente menor. A falta de coerência absurdamente maior. A vontade de morrer agora? Infinita. Essa escritora, que já não é a Cintia, então chamemos de ah, Bárbara – ah, ironia das ironias – tem um pouco mais de vinte anos, e um pouco menos de inteligência que o cachorro da minha vizinha, e três – nada menos que três – livros publicados, todos com grandes críticas. E eu aqui, criticando o texto com um copo de bebida amarga e o último cigarro entre os dedos. Na merda, caro amigo, na merda.
Meu gato me fita do canto do quarto – sujo, cheio de roupas empilhadas e louça suja – como se tivesse pena da minha cara amassada e desgostosa. Mas é assim mesmo, caro felino, é assim mesmo. Vou acender outro cigarro e encher o copo dessa bebida barata que já está começando a me parecer boa. Quem sabe assim, esse texto também me pareça.
Gostei pra caramba!
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