da série Aquarelas
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Ficava sentada por horas na cabeceira da tua ausência, ninando as palavras que eu gostaria que visses batendo as asas enferrujadas pelos ares. Embalava toda aquela chuva que me brotava do teu resto, e que penso que enferrujava minhas palavras. Eu acariciava os teus cabelos - teias de aranha por sobre a saudade – e contornava todos os traços do meu travesseiro insone. Desenhava, horas perdidas, uma aquarela em tons pastéis do teu corpo, decorado a dedos leves, como artista empunhando bico de pena e tinta da China. Mas nunca havia preto. Apenas tons pastéis. Uma aquarela em tons pastéis, tão apagada quanto a nossa chama.
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