sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Covardia




Na minha intensidade já sempre sabida, fui ao fundo daquele armário buscar as melhores coisas pra te dar. 

Vasculhei as gavetas na captura de lembranças boas, laços de fita, pedaços de mim cheirando a poesia.  Juntei tudo da melhor maneira que pude e desenhei um cartão a aquarela. Não sou feita das entregas, mas quando encontro endereço, me remeto sem embrulhos, com a urgência dos presentes há muito guardados.

Na minha ingenuidade femininamente apaixonada, eu sentei e esperei. Esperei que da tua garganta escapassem palavras enamoradas, embotadas de sentimento. Pensei que sentisse. Pensei até que sentisse, e talvez, não mo dissesse. Então, acalentei a esperança de um beijo, um toque no cabelo, um pequeno gesto, um sublimado olhar. Mas nem em partes. Nem um meio olhar, um pedaço de sorriso, um esboço de aceno.

A mim bastava apenas uma pequena palavra, que nunca disseste. Uma voz em meio à madrugada, acendendo a luz do meu quarto e jogando as cobertas longe, para me ver nua refletindo os raios lunares que penetram à persiana, da forma como não o fizeste.  

E eu que pensei que sentisses.

Ou não sentes, ou tens coragem. E juro que não sei o que me parece pior. 

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