segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Samba em Si


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Hoje foi um dia bastante esquisito. Esperei o telefone tocar o dia todo, e ele não tocou. E acho que não vai tocar. Nenhum sinal de vida. Nem respostas, nada. E a cabeça lá... e o corpo aqui, na segunda feira da vida. E tudo mais aquilo que a acompanha: o trabalho, a razão, as desilusões. Mas o telefone, nada.  
Fico tentando fugir. Escapar de qualquer jeito, por que não sei lidar com tudo isso. Pensei que chegar em casa exausta me faria dormir, mas me enganei. Foi entrar aqui, e te saber não.  Foi triste. É triste, isso que é. E eu achei que se ficasse imóvel, me alienando com um desenho animado e alguma coisa para mastigar fossem me vencer no cansaço. Mas não também, pelo jeito.  Hoje alguma coisa de muito siso e pouco riso mantém a criança quieta, e martela a cabeça e o peito por dentro, bem forte, toc toc toc batendo. Escrevi essas coisas desordenadas por que queria muito escrever pra ver se pára. Se pára de bater, se pára de pensar, se pára  esse não você aqui.  
Não ajudou grande coisa, mas deixe estar. Quem sabe em meio a esses pensamentos eu encontre uma grande máxima, ou então componha um sambinha que se acerte com o batuque aqui de dentro.





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domingo, 29 de julho de 2012



Afinal, é madrugada. É a madrugada fria, fria toda, da qual me escondo aqui nessa poltrona em meio ao escuro da casa. Tinha ficado a tua espera, inútil espera, e precisei escrever pra não morrer, sabe? Não aquele morrer de tragédia, com cicuta e olhares fatais, mas de engasgo. Minha cabeça mastigou de um lado ao outro, de um lado ao outro, mas nem ela nem ninguém aqui nesse corpo conseguiu foi engolir. Aí a insônia veio, quis conversar sobre isso e acabei me engasgando. 
Não sei nem ao menos do que é feito esse cuspe. Frustração uns 70%, na boa. Mas, e o resto? Água, ou o amor que nela se diluiu? Raiva da tua ausência aqui-agora, eu acho. Falei pra relaxar, que tava tudo bem. Mas não achei que lavaria a sério, que deixaria a madrugada fria aqui comigo, como a um bebê choroso e insone. Por isso dormi em meio a cólica e o choro, numa tentativa desesperada de ler Virgínia Wolf com os olhos quase fechados de dor e mar, bem assim, indo e voltando aquela pocinha no canto direito, sem fim. Sem trégua. Afinal, é madrugada, como eu já disse. E a noite essa ideia do não-você-aqui parece dez vezes mais aterrorizante do que a luz do dia, da força e da farsa. No escuro, parece que os medos ficam mais a vontade, e podem transitar pelo corpo e pelo quarto de cuecas, sem se preocupar em interrupções de sanidade, próprias ou alheias.
Afinal, é madrugada e a rua está quieta. A cada ronco de carro meus medos pulam orelha adentro e eu corro espiar a rua, ver se te caço na sombra dos postes ou se um barulho de chave me acalma por dentro. Nunca nada. Só o escuro, a vigilância incessante e os cães na outra quadra. E o escuro aqui dentro, o gato no colo e o coração na mão. Será que não durmo nunca mais? Afinal, é madrugada. Não vou me embriagar e te ligar chorando. Nem te deixar bilhetes enfurecidos como uma mãe preocupada. Vou ver um filme de amor, te odiar e te chamar noite a dentro, entre soluços e pipocas. Bem baixinho, afinal, é madrugada e corações tranquilos dormem.