quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Do jornal
Não são quadrinhos que busco
Crônicas políticas, economia circense
Fraudes, sequestros de diplomatas
ou o campeão do Estadual.
Meus olhos buscam
afoitos
pelos classificados.
Eu procuro por um mundo melhor.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Da menina na janela
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Pequenino conto pra acertar as contas
sábado, 29 de janeiro de 2011
"Acho que a gente devia encher a cara hoje, depois a gente fala mal dos inúteis que se acham super importantes."
- Charles Bukowski -
Hoje fiquei horas e horas sentada em frente a essa máquina que faz com que eu me sinta cada vez mais obsoleta. Além de não entende-la enquanto engrenagem, me coloca o mundo todo na cara, o mundo todo que eu nunca vi, que nem sabia que existia. E me enche de vontade de viajar. Por agora, viajo apenas na fumaça densa pairando por sobre a cama, totalmente desfeita em seus lençóis laranja, cheia de porcarias amontoadas pelo gato num canto. Ele também viaja, da maneira dele. Antes mesmo se debatia num sono convulso. Sabe-se lá o que estaria acontecendo ali. E eu, sinceramente, estava muito mais preocupada aqui.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
(Im)presente
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Verdejar
soprando ares do mundo
meus pés semeiam desenhos
no pó das terras em que me planto.
Nessas noites férteis, essa lua nova
abro meu peito e fecho meus olhos
para que esse deus que mora em mim
descanse e pouse em verde morada.
Como a mulher e a paz
como um pássaro cruzando marés
o tempo adormece em sua cama de bronze
e a manhã renasce colorida de pensamentos.
Colhendo maduros meus sonhos
Recolho o escuro da noite sem medo
Pois sem espanto e sem nuvens
o sol habita em segredo meus campos.
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| Foto: Mônia R. |
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Bóris
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Seis
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Insectae
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
07h29m
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| Foto: Mônia Rommel |
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Com tinta da China
da série Aquarelas
O Homem Nu
sábado, 8 de janeiro de 2011
E eu que nem gosto da Jovem Guarda
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Quanto
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Como diria Noel
Tela
de espanto preto
- sem branco -
nos assistia inerte a tela:
nunca houvera tamanho amor
passando nela.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Sonetos incompletos I
Escrevi mil sonetos ritmados ao som da pulsação inconstante
Do meu peito.
Poesias de amor, dedicadas ao meu bem querer.
Hoje, bem queria queimá-las
Aspirá-las junto à fumaça do meu cigarro.
Fazer delas o meu cigarro.
Mas nem pra fumaça você presta.
Você não tem métrica
Não cabe em nenhum soneto
E ainda deixa minha rima pobre.
A dobrinha.
domingo, 2 de janeiro de 2011
E eu que tentava de todas as maneiras
War(m)
De que adianta, nesta vida, acreditar? Em quê adianta nesta vida acreditar? De que adianta essa fé em algo, ou alguém, se na noite interior - da alma - os gritos voltam, frutos de um eco de frias paredes? A desilusão é como um fel: envenena o corpo e tinge as lágrimas de dores seculares, que se repetem em ciclos de perdas sem fim. Perdemos tempo, perdemos pessoas, perdemos a nós mesmos. E o que se ganha com isso?
Vazio.
A solidão não é estar sozinho, e sim em vã companhia, que rouba o silêncio e nada têm a dizer. Mastiga os silêncios e cospe claustrofóbicas frases banais. E grita, e briga e luta sozinho contra algo que a muito já o venceu... E nos arrasta para o combate com entusiasmo febril, para ao fim, ter o egoísta alívio de dividir as dores e as culpas, como se fizéssemos parte dum falido exército marchando rumo ao eminente fracasso. Ou ao nada.
E eu repito, de quê adianta?! Se todo esse lamento fosse bálsamo, poderia consolar ao menos aos que ferimos nesse combate e ainda assim não desistem de nós. Não desistem da - já perdida? - batalha.
E a guerra, ah, essa sim, mal começou.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Encruzilhada
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Intranqüilidades
Ouvindo um blues meu peito se encolhe.
Não quer se abrir, não quer respirar. Seria tão bom esticar os dedos e tocar tua alma só para dissolver a névoa dos sentimentos sufocados... Enquanto me faltas, faço contas, faço listas, faço asneiras.
A angústia de toda essa intranqüilidade é que me fez este buraco. E agora não sei se ele tem saída ou não.
A angústia de toda essa intranqüilidade é que me fez este buraco.
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| Foto: Mônia R. |
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Pouco
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Adendodia
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| Foto: Mônia R. |
(...) Quando ficava sozinha, ela ás vezes ficava parada olhando os espaços, como se houvesse um sol a se pôr no estio, mesmo que fosse quatro da manhã, ou estivesse chovendo, ou seus olhos estivessem fechados; de medo ou alumbramento, ou de solidão talvez. Penso, mesmo, que ela procurasse, naquele sol que criava na retina, o calor da presença que gostaria de sentir ao seu lado. Do lado esquerdo. Parado, apenas. A existir, só. Não precisaria ser nada. Nem lindo, nem bom, nem eterno. Apenas estar alí e se dar a ela como ela se daria, toda, àquele momento, porque era fogo. Consumia e virava cinza. Depois... depois, era depois.
Aurélio
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Cheiro de merda
domingo, 26 de dezembro de 2010
Íntima caligrafia
traduzo todas coisas
na linguagem da minha alma.
Cada dia
te invento mais verso e prosa
pra te escrever em mim.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Laço cor de rosa
Dissolvendo o bicarbonato no copo d’água, Dolores escuta a conversa no quintal: os famigerados preparativos para o almoço de Natal. Tambores do Congo ecoando do lado esquerdo de sua cabeça, claro sinal de que bebera demais... Não se recordava de haver ido deitar.
Peraí, recapitulando. Farofa, briga de família, amigo secreto, os drinques... Ok, explicado. Na tentativa de esquecer o Natal, caprichara neste último item. Será que foi o gim? A cachaça de pitanga, talvez. Muito doce. Engraçado, depois dela a festa pareceu tão melhor. E depois que resolveu sentar com os homens lá fora então, a festa ficou finalmente digerível. O papo, como sempre, muito mais interessante que na cozinha. Um copo vai, um papo vem e ela ali, ouvindo o funk dos vizinhos e comendo rúcula. Na TV, aqueles horripilantes filmes de Natal que passam ano após ano, repetidamente. Começa a contar os prendedores no varal, e lembra de um livro da infância, chamado Os pregadores do Rei João. E lembra de outro: Maneco Caneco Chapéu de Funil. E vê que está bêbada, sentada no colo do pai e cheia de rúcula entre os dentes. E lembra de outro livro, já da adolescência, chamado Melancia. Aí recorda Maitena, e suas Mulheres Alteradas. Então se vê mais bêbada, sentada no chão com um laço de fita na cabeça. Embrulhada pra presente, pensa rindo. Pra ninguém desembrulhar, lembra a si mesma. E chora. Bêbado é uma merda mesmo, diz o pai. Cala a boca guria, diz o tio, e pega outra cerveja. Dolores levanta. Ou acha que levanta. Alvo dos risos – óbvios – da família, jaz Dolores, estirada no chão, com o laço cor de rosa pendurado em uma orelha, gritando: sempre quis ser bailarina de caixinha de música!
Séria como a manhã exageradamente quente, engolindo a salubre solução no copo do Frajola, Dolores tira o laço cor de rosa da orelha e sai cantarolando Jingle Bell.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Farofa da Dolores
E ela ali, sentada no meio de toda aquela farofa. A tia falando alto, mais alto que o caminhão estúpido com aqueles sinos estúpidos e aquele Papai Noel fajuto, com a barba pendurada assimetricamente por um fio bagaceiro de elástico. Falando alto e cortando maçãs. E queimando a calda do peru, estúpido ele também. A avó, ao lado da tia, fatia o bacon e consegue o impressionante feito de superar o volume da já citada parente inventora da atualmente conhecida amplificação sonora. E assunto, claro, é Dolores.
A mãe, ao lado das duas, apenas olha Dolores sentada brincando com as absurdamente finas rodelas de cebola que acabara de cortar para a famosa e detestada por ela farofa da família, e se pergunta se as lágrimas são da cebola ou do desespero causado pelo Natal, que a filha tanto odeia. Resolve intervir. ‘deixa a menina em paz, vocês duas. Já falei que o namoradinho (a mãe de Dolores insistia nesse termo que suscitava na filha desejos de evaporar) deixou de gostar dela, e ela não quer admitir, e que além de tudo tá sem dinheiro. Prá que deixar a coitadinha triste?’
Coitadinha. Dolores sentia todos os cabelos de sua nuca se arrepiarem nessa hora. Se via virando o recheio do peru aos berros, esfregando cebola nos olhos da tia e estapeando a avó com pães de alho carinhosamente preparados com sua receita especial. Foda-se a receita especial. A velha merece. Para a mãe, maníaca por limpeza, reservava o requinte da crueldade: se imaginava derramando travessas e mais travessas de farofa entre as roupas das camas milimetricamente arrumadas, dentro das gavetas, enchendo almofadas e armários com a deliciosa farofa da família. Estúpida farofa! Mas, acostumada como um cão de igreja, apenas dizia ‘ namoradinho não, mãe. Namoradinho não. ’
Uva passa, que, aliás, Dolores detesta. E a cada ano que repete essa informação, a quantidade delas na farofa – maldita farofa! – aumenta. A maçã da tia. O bacon da avó. Alho. Milho. Nozes. Pronto! E a mãe, sorridente, comunica: Terminamos a farofa!
Sentada, no meio daquela farofa toda, Dolores. Tão ignorada quanto à cebola minuciosamente cortada para a farofa que não come, na cerimônia que seu espírito insiste em não participar, ela sorrateiramente coloca uma camada de cebolas lindamente fatiadas no pavê inglês.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Fettuccine Alfredo
Chego ao restaurante e escolho aquela mesa junto à janela, pra ver se escapo desse calor infernal tão atípico que faz hoje. Minha aversão ao calor não me permite ver o que se passa ao redor. Neuroses a parte, peço com a máxima polidez que o suor escorrendo em meus olhos permite, uma limonada suíça e parto em busca de saciar a fome que me arrastou até ali.
Na fila da spaghetteria, já vou sonhando com o macarrão como boa glutona: quero isso, mais aquilo, aquele outro... Escolho os complementos do molho. Quero ricota, moço. Mais. Mais um pouco. Isso. Cogumelos. Isso. Palmito. Mais. Um pouco mais. Tá com dó dos palmitos moço? Ok, ok. Não precisa ficar nervoso. Qual o macarrão? Qual a sugestão? Ah, mas tá muito quente pra comer nhoque. Tudo bem, não peço mais sugestão nenhuma. Que gente mais sem paciência nessa fila.
Acontece que, afobada em comer como sempre, esqueci de pegar o prato. Conclusão: ao voltar para buscá-lo, baguncei com categoria a porra da fila. E chega a hora do molho. Obviamente, a cumbuca com todos os ingredientes carinhosamente escolhidos (e habilmente regulados pelo atendente treinado a matar mulheres neuróticas através do desejo de comer palmito) estava fora da ordem. Com toda a educação e gentileza a mim dotadas pela natureza, expliquei a situação a senhora, compreensiva, a minha frente e passei a tentativa de fazer o mesmo a nada contente moçoila operando quatro bocas de fogão enormes naquele calor digno de uma filial direta do quinto dos infernos. A essa altura, ela já havia colocado o molho ao sugo da senhora na minha cumbuca, e aguardava impaciente que eu escolhesse qual o molho gostaria de ter juntamente a minhas alcaparras e calabresas! Com toda humildade de quem faz merda, calmamente contei a ela, até rindo um pouco, a história do prato.
O que eu não esperava é que a Dona Estressadinha do Molho fosse gritar como uma mamma italiana pro restaurante inteiro ouvir que eu era uma incompetente, pois havia no início da fila um aviso, segundo ela, gigante, logo acima dos pratos, orientando o processo. E que se eu havia esculhambado a fila dela, deveria enfiar as calabresas nos ouvidos, já que não comia carne.
Calmamente traçando quatorze planos de assassiná-la assim que terminasse minha refeição, me dirigi novamente ao final daquela linda e longa fila, para ter que implorar por mais palmitos, e ter de vê-la com sorriso de escarninho a quase queimar meu molho Alfredo. Pra completar, ao ver que me dirigia ao cheiro verde, recolheu a travessa com um riso e a frase longamente pronunciada: “desculpe, vou pegar mais.”
Derrotada, sem cheiro verde, com calor, fome e pouquíssimos palmitos acenando no meu fettuccine ao molho Alfredo, me dirigi a minha mesa junto à janela. Surpresa! Como era uma mesa para quatro lugares, e uma família havia chego, pensamos que a senhora não se importaria de...
Ah, foda-se, cadê as minhas coisas? Ah, naquela mesa ali??? Aquela queria dizer a última mesa do salão, ao lado de uma enormíssima família cheia de crianças fazendo guerra de comida e ventilação zero. E, claro, minha limonada já havia sido alvo da guerra e havia uma batata frita mordida boiando, placidamente.
Resolvo contar até trezentos e dezoito e começo a comer. Como de costume, começo a mastigar e minha mente vagueia. Enrolo o macarrão, distraída. As crianças me olham e riem. Não tô naquele bom humor, mas vá lá, uma risadinha. Tá, já deu. Levanto, por um breve momento os olhos, e lá está ele. Moreno. Monumental. Me olhando. O quê? Me olhando? E rindo? Olho pra trás: a parede. O olhar é pra mim, definitivamente. Já fico toda galante. Ajeito o cabelo atrás das orelhas, desvio o olhar e faço toda sorte de charminhos. Ele, olhos fixos e rindo cada minuto mais.
Termino a minha refeição, que aquela altura já me parecia deliciosa, tiro um dos meus cartões da bolsa e rabisco algo no verso. Levanto, com meu esvoaçante vestido branco, e me dirijo até a mesa dele. Coloco o cartão em frente ao seu prato e digo ‘ vi que me olhou durante o almoço inteiro. Sim, você pode me convidar pra sair’.
Ele, longamente me olhando da cabeça aos pés, responde sorrindo calmamente: ‘ moça, você tem macarrão preso no seu decote. ’
Mais lady do que nunca, saio jogando fettuccines pelo chão, ao som dos risos ao redor.








